A Dríade do Mar - Capítulo Sete

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O céu estava ficando róseo, e logo em seguida, azul claro, límpido. As nuvens haviam dissipado, e o mar estava calmo, bastante sereno até. Olhei para os lados, e não vi a princesa. A fogueira estava apagada. Nem sinal dela, nem mesmo pegadas. Fiquei de pé. Se eu tencionava fugir, aquela era minha hora. Eu não teria outra oportunidade como aquela nunca mais.

Mas sair dali sem saber de Thalassa me deixava angustiado. Algo estava estranho. Olhei ao redor em busca de alguma pista. Nada. Foi quando vi uma mecha rósea numa árvore. Me aproximei. Era uma mecha de Thalassa. Olhei para a que eu carregava em meu pescoço com o pingente dela, que me deixara uma vez, havia tanto tempo que nem sabia precisar o quanto.

Mas aquela mecha ali era diferente. Estava desgrenhada, solta... não fora deixada propositalmente por Thalassa. Fora arrancada dela.


Sem pensar, comecei a correr, seguindo a trilha que havia naquela direção. Não havia pegadas. Na certa, alguém que a levara as estava escondendo, ou então...

Foi quando algo me pegou pelas pernas, por trás. Caí para frente, e, quando pensei que ia bater no chão, o chão não veio e fiquei de cabeça para baixo, suspenso no ar. Alguém ou algo segurava minhas pernas e me puxava para cima, para a copa das árvores. Pareciam mãos ásperas e fortes. E então, uma pancada na cabeça e fiquei totalmente desacordado.

Meu último pensamento era dela.




***
Horas depois, acordei num muquifo. Não tinha outra palavra para definir aquele quartinho com um único colchão empelotado onde eu estava deitado. Havia um odor de coisa estragada no ar, um cheiro pesado que me era dificultoso respirar. Nada mais.

"Ei! Alguém aí?"

Bati na porta velha de madeira, mas não ouvi nenhuma resposta. Tentei olhar pela fechadura, mas uma chave estava enfiada do outro lado, impedindo minha visão. Encostei o ouvido na porta, tentando ouvir alguma coisa, nada. Deitei no chão para tentar visualizar algo pela fresta embaixo da porta, e só o que vi foi uma massa de cabelos róseos no outro lado.

"Thalassa!"

Mas nada se moveu. Eu sabia que só podia ser ela. Continuei batendo, gritando e chamando, mas ela não se movia. A massa rosada continuava no mesmo lugar, e eu não podia sequer saber se estava viva ou morta. Apenas que jazia ali no chão.

Calculei a espessura da porta e a força que deveria ser empreendida para forçá-la de dentro para fora, e tentei uma, duas, três vezes. Parecia reforçada pelo lado de fora, e não consegui mover um só centímetro. Foi quando ouvi passos. Silenciei e me encostei para ouvir.

Não havia outro som, como conversas, ou como se fosse mais de uma pessoa. Apenas passos, e vinham em direção à minha porta. Corri para o colchão e fingi dormir, e estava com o rosto voltado para a porta quando ela se abriu. Olhando entre os cílios vi um homem alto, robusto, branco, cabelos todos brancos e longos, mas não parecia um velho; ele entrou e me observou por alguns instantes e depois pareceu olhar o lugar, sem se importar comigo. Pelo visto, eu não parecia ser uma ameaça.

Olhei entre as pernas dele, e vi o outro cômodo. Parecia uma cozinha, tinha uma mesa velha com dois bancos também muito velhos, um fogãozinho de acampamento e umas panelas enegrecidas. Mas o que me chamou a atenção foram os cabelos rosados no chão. Não havia apenas o que eu tinha visto. Eram várias mechas soltas. Mas não tinha sinal de Thalassa. Onde eu pensei ser sua cabeça, apenas um amontoado de fios.

"Cortaram os cabelos dela!" pensei. Voltei minha atenção ao homem no quarto, e ele parecia entretido com alguma coisa aos meus pés, no chão, por isso aproveitei a oportunidade e saltei para cima dele.

Ele não esperava por isso, e cambaleou, perdendo o equilíbrio. Mas isso foi bastante momentâneo. Logo ele recuperou sua força e facilmente me dominou. Quando olhei seus olhos, percebi que não era humano. Eles irradiavam uma cor prata completamente impossível. Seus braços fortes que me erguiam do chão tinham pequenas ventosas. E, ao me erguer do chão tão facilmente, parecia um deus.




"Quem você pensa que é para me atacar desta forma?"

Sua voz estrondava o lugar, e parecia um trovão. Eu não consegui encontrar minha própria voz, e assim atônito, minha boca apenas se movia, sem sair nenhum som. Olhei aterrorizado para ele, e ele sorriu diante de meu medo.

Vagarosamente, me pôs no chão.

"O que quer de mim?" consegui dizer finalmente.

"De você? Nada. Você não me serviria nem para alimentação."

Olhei para ele, e dele para as mechas de Thalassa no outro cômodo. Ele acompanhou meu olhar.

"Não se preocupe, ela está bem. Onde deve estar. E você, vai voltar para onde tem que ficar: numa cova."

Ele investiu contra mim, erguendo uma adaga prateada incrustada de pedras preciosas. Me encolhi, esperando a morte, mas ela não veio. Em lugar dela, ouvi sons, e quando ergui os olhos, o efidríade cinzento estava lutando contra outro efidríade, mas eu não conseguia identificar quem era. Era um duelo incrível, e apesar do recém chegado ser mais franzino, estava levando a melhor contra o cinzento.

Eu não queria continuar vendo aquela luta, precisava encontrar Thalassa. Assim que a briga levou ambos para um outro lado do quarto, eu corri, passando rapidamente para o outro cômodo. Olhei para as mechas rosadas no chão, e nem sinal de Thalassa. Corri para a porta da frente e saí do lugar. Ainda estávamos perto do mar, eu podia sentir o cheiro. Mas como saber para onde ir? Estávamos no meio de um bosque ou floresta tropical. Muitas árvores, pássaros cantavam e eu não sabia que caminho tomar. Mesmo assim, corri para me esconder, antes que os efidríades parassem com aquela briga e percebessem minha fuga.

Pouco tempo depois, vi quando o franzino saiu da casa, e olhou ao redor. Parecia farejar algo no ar, e vinha em minha direção. Encolhi-me o mais que pude, e tentei não respirar, para não fazer barulho. Mas, mesmo assim, em pouco tempo o efidríade me encontrou.

"Eu estava procurando por você! Não sabia que estava preso lá dentro."

A voz musical me acordou de algum transe. Levantei os olhos e vi. Lá estava o efidríade, que na verdade era uma princesa. Vestida com trajes masculinos e os cabelos raspados, estava Thalassa, olhando para mim.



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26 comentários:

  1. Olá, gostei de saber que você está publicando sua própria história aqui :D Fiquei interessada! Infelizmente ainda não havia lido os outros capítulos, então fiquei um pouco perdida nesse aqui Huahuahua Mas vou guardar o link pro seu blog e assim que puder vou conferir os primeiros capítulos pra poder ter uma melhor opinião sobre a história :D

    Beijosss, muito sucesso pra você <3
    Poison Books

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    1. Olá, Ursulla.
      Obrigada pela visita, e espero que volte!
      Abraços!

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  2. Estou amando suas histórias, vc precisa fazer um livro de contos,
    Bjus

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    1. Obrigada, que bom que estás gostando!
      Abraços!

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  3. Gostei do texto, não peguei do começo, afinal este é o capítulo 7, mas foi suficiente para em prender. Quando vai publicar?
    http://poesianaalmaliteraria.blogspot.com.br/

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    1. Oi Lilian, tudo bem?
      Já tenho alguns livros publicados. É só dar uma olhada na aba lateral (sidebar) ou na barra de menu, abaixo do cabeçalho, chamada Estante do Blog. Lá tem informações sobre meus livros publicados, como Raabe, Lembranças, e Guerra Negra. Abraços e obrigada pela visita.

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  4. Oii, tudo bem?
    Vou ser sincera com vc: não li o capítulo de hoje pois estou chegando agora, e vou ler desde o início, mas adorei as fotos!
    Bjs

    A. Libri

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  5. Oláá
    Nossa, o capítulo é bem interessante, tentarei pegar do começo, pois a história me atraiu ahah foi escrito muto bem ;)

    Beijos
    Catharina
    http://realityofbooks.blogspot.com.br

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  6. Oii
    Olha eu aqui de novo, vc realmente escreve muitissimo bem... parabens viu?
    Vou tentar ler os capitulos anteriores e acompanhar daqui para frente


    beijos
    http://livrosetalgroup.blogspot.com.br

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    1. OI Mayara. Obrigada pela presença no blog. Que bom que gostou! Abraços!

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  7. Acho bem legal saber da publicação de sua própria história ! E ela é muito boa !
    Continue viu !
    beijos

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  8. Legal ver que mais alguém posta autorais! rsrs
    Eu tenho alguns "textinhos" próprios no meu blog também, não chegam a ser contos. Cheguei a começar a escrever um conto num rascunho mas fiquei com medo de plágio e fui aconselhada a postar somente depois de fazer o devido registro para evitar problemas então acabei desistindo do conto. Adorei sua escrita, parabéns! BJOS.

    http://luadeneonblog.blogspot.com.br/

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    1. Oi Vanessa. Isso é realmente um problema, essa questão do plágio, e deve-se realmente ter cuidado, o máximo que puder. Vou dar uma passadinha no seu blog. Abraços e obrigada pelo comentário!

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  9. Oi Débora que bom poder conhecer seu trabalho. Agradeço pela oportunidade. Parabéns pelo trabalho que eu espero seguir agora.
    Bjs, Rose
    Fábrica dos Convites

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    1. Oi! Obrigada por aparecer e deixar um comentário! Eu é que agradeço!
      Abraços!

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  10. Oi Débora.
    Que legal você publicar os capítulos aqui no blog!
    Ainda não li os capítulos anteriores, mas vou dar uma conferida depois. Você escreve muito bem. =)

    Beijos
    Carolina
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

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    1. Oi Carolina.
      Obrigada pelo comentário. Confira mesmo!
      Vou dar uma passadinha no seu blog para conferir!
      Abraços!

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  11. Adorei a iniciativa de ir publicando capítulo por capítulo em um blog! Vou confessar que não li o capítulo inteiro, porque acabei me interessando e não havia lido os anteriores ainda. Então salvei seu link aqui pra começar a ler desde o príncipio e com certeza vou te acompanhar até o fim, rs... Beijos!

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    1. Oi Samantha! Obrigada pelo comentário e espero que goste da história. Estarei postando o último capítulo hoje. Abraços!!!

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  12. Antes muitas pessoas escreviam, agora o dom de escrever boas histórias está ficando cada vez mais raro. E seus capítulos são muito bons, já pensou em escrever um livro de contos? Você iria se dar muito bem!

    http://ocasulodasletras.blogspot.com.br/

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    1. Oi Maria Lygia, tudo bem? Obrigada pelos elogios, pela visita e pelo comentário. Livro de contos não escrevi, mas escrevi alguns livros de ficção, e estou divulgando no momento Guerra Negra.
      Abraços!

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  13. Oi, que legal isso de postar sua história no blog!
    letrasemvida.blogspot.com

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  14. Achei interessante sua estória, mas vou voltar nos capítulos anteriores para não começar a leitura do meio! ;)

    Infinitos Livros

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  15. Estou perdida. Isso é um livro, uma fanfic...? Não entendi. Concluí a leitura e, apesar de a escrita ser muito convincente e correta, fiquei meio "boiando". Como não li os capítulos anteriores, acho que foi por isso. Mas sugiro que você poste essa história em alguma plataforma própria, sabe? Tenho muitas fanfics, mas nunca as postei no blogger, pois não é a plataforma mais correta. Espero que continue escrevendo :)

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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    1. Olá, Nina, tudo bem?
      Eu já postei esta história numa plataforma correta, mas prefiro o blogger. De qualquer forma, a primeira coisa que aparece na história, é: "Chegando agora? Acompanhe esta história do início, clicando aqui", com um link que te levaria direto ao primeiro capítulo, e, ao final de todos os capítulos há um link que te encaminha diretamente para o próximo, até o último capítulo.
      Abraços.

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